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Amadora celebra Abril e homenageia Mário Soares, com diorama de VHILS

 

Foi hoje - Dia da Liberdade, 25 de abril - inaugurada no Parque da Liberdade uma peça artística (diorama) de homenagem a Mário Soares, da autoria de Alexandre Farto aka VHILS.
A inauguração foi antecedida pelo Hastear da Bandeira, no exterior dos Paços do Concelho, com a participação da Banda de Música da SFCIA - Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora, e da Sessão Solene comemorativa do 52.º Aniversário do 25 de Abril, que teve lugar nos Recreios da Amadora.

A obra agora inaugurada homenageia uma das figuras determinantes da história contemporânea portuguesa, considerado o “pai da democracia” no nosso país.
Mário Soares destacou-se como protagonista na luta contra a ditadura, no processo revolucionário e na consolidação do regime democrático após o 25 de Abril de 1974. Fundador do Partido Socialista, Primeiro-Ministro e Presidente da República, foi igualmente um dos principais impulsionadores da integração europeia de Portugal, contribuindo de forma decisiva para a afirmação do país no contexto internacional.

Durante a cerimónia, o Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Vítor Ferreira, salientou que o Parque da Liberdade, “que integra o Parque Urbano da Atalaia e que reabriu recentemente ao público, é o palco ideal para celebrarmos a memória de quem tanto lutou pela nossa democracia”.
Esta cerimónia celebra assim, “não apenas um homem, mas a própria conquista da dignidade democrática e a afirmação de um país livre, plural e voltado para o futuro”.
Esta peça artística “não é apenas um tributo ao homem; é uma memória constante dos valores da liberdade e da participação cívica”, concluiu o autarca.

“É uma homenagem lindíssima, não podia haver melhor!” Foi desta forma emotiva que Isabel Soares, filha do homenageado e Presidente do Conselho de Administração da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, começou a sua intervenção. “No Parque da Liberdade. Nada mais apropriado a ele (Mário Soares), que foi um combatente pela Liberdade durante toda a sua longa vida. A Liberdade estava-lhe colada à pele”, declarou.
Isabel Soares relembrou um dos lemas do pai: “Só é vencido quem desiste de lutar. Portanto, nós não podemos nunca desistir de lutar e temos de continuar a lutar, para que a liberdade continue, para que a democracia continue, e para que não apaguem a memória. É fundamental que não se apague a memória e que se passe isso aos nossos jovens”, defendeu.

Alexandre Farto aka VHILS, autor do diorama, recordou os pais, migrantes do interior do Alentejo, que nos anos 80 do Século XX rumaram para o litoral, e da sua própria experiência com os serviços públicos e a vivência no bairro, e de como o 25 de Abril permitiu a construção do “pensamento coletivo que me permitiu chegar onde cheguei e que me permite trabalhar em muitas partes do mundo”, esclareceu.
O artista partilhou que conviveu desde cedo com pessoas de muitas zonas do país e do estrangeiro, e que isto “o enriqueceu”, destacando ainda a importância de Mário Soares como exemplo de alguém que “conseguiu criar pontes onde ninguém as conseguia ver”, explicou .

Na inauguração estiveram presentes diversas personalidades, nomeadamente João Soares, filho do homenageado e José Luís Carneiro, Secretário-Geral do Partido Socialista.

Sobre a obra
Com cerca de 5 metros de comprimento, 2,5 metros de altura e um peso aproximado de 7 toneladas, esta escultura em betão, denominada “PONTE”, assume a forma de um diorama de grande escala, conferindo-lhe uma solidez e durabilidade apropriadas para o espaço público e integrando-se no local como um elemento permanente de evocação e memória coletiva.

A obra insere-se na prática artística de VHILS, reconhecida pela exploração da memória e da identidade através da matéria.
A escultura propõe-se, assim, não apenas como um retrato, mas como um dispositivo de memória, que inscreve no espaço urbano a importância de Mário Soares no percurso democrático do país.
A sua implantação no Parque da Liberdade reforça a dimensão cívica da intervenção, criando um ponto de encontro entre arte, história e espaço público, acessível à comunidade e integrado nas vivências quotidianas do território.

Esta iniciativa inseriu-se no programa das comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril na cidade da Amadora, que, recordamos, foi o primeiro município criado após o 25 de Abril de 1974 – a sua criação data de 11 de setembro de 1979.

Parque da Liberdade
Rua António Aurélio da Costa Ferreira – Damaia (Entrada pela Atalaia)
38.745495, -9.230589