A reportagem "Barracas na área de Lisboa: o regresso de um problema que nunca desapareceu", da autoria da jornalista Teresa Serafim, com os contributos de Daniel Rocha (fotografia), Francisco Lopes (infografia) e Joana Gonçalves (vídeo) foi o trabalho vencedor da 29.ª edição do Prémio Literário Orlando Gonçalves, este ano na modalidade de Jornalismo, galardão atribuído pela Câmara Municipal da Amadora, que pretende reconhecer o trabalho jornalístico de investigação ou de grande reportagem.
Após apreciação dos 26 trabalhos admitidos a concurso, o júri - composto por Ana Cristina Pereira, vencedora do Prémio Crónica Jornalística da edição anterior, na qualidade de representante da Câmara Municipal da Amadora; Tiago Torres da Silva, como representante da Sociedade Portuguesa de Autores e Susana Venceslau, representante do Sindicato dos Jornalistas - deliberou, por unanimidade, atribuir o prémio a esta reportagem considerando que "o trabalho faz um retrato histórico da 'tentativa' de erradicação das barracas na Área Metropolitana de Lisboa nos anos 90 do século XX relacionando-o com o ressurgimento dessa realidade na atualidade e com a crise de habitação com que a capital se depara. O texto cumpre todos os requisitos do prémio em questão: aborda um problema social premente, com incidência local. Conjuga o exercício de memória com a atualidade dando especial destaque aos direitos humanos e ao exercício da democracia".
Biografia | Teresa Serafim (jornalista)
Natural de Sousel, Teresa Serafim é jornalista no jornal Público desde 2016. Licenciou se em Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH) e fez o mestrado em Estudos Portugueses da NOVA FCSH.
Biografia | Daniel Rocha (fotografia): É repórter fotográfico do jornal PÚBLICO desde 1992. Realizou várias reportagens nacionais e internacionais, com destaque para a erupção do vulcão da Ilha do Fogo (Cabo Vede), a visita do Papa João Paulo II a Cuba ou a luta do povo maubere pela independência de Timor-Leste. Licenciado em Antropologia (Universidade Nova de Lisboa), em 1998, e em Fotografia pelo Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual), concluiu diversas ações de formação no CENJOR (Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas), tendo sido distinguido com vários prémios e participado em livros e exposições coletivas na área da informação e do fotojornalismo.
Biografia | Francisco Lopes (infografia): Jornalista e infografista do PÚBLICO desde 2016. É reconhecido em mais de três dezenas de prémios e menções nacionais e internacionais em infografia. Formado em Design Gráfico, participou em vários congressos mundiais de infografia nos Malofiej na Universidade de Navarra - Pamplona, Espanha. Tem formação em linguagem de programação na Formabase. O seu trabalho centra-se na produção de infografias para papel e online e na criação de novas narrativas visuais digitais.
Biografia | Joana Gonçalves (vídeo): Começou na Rádio Renascença (RR), em 2018, depois de um estágio que também passou pelas redações do Expresso e SIC. Na RR trabalhou na edição da tarde, mas foi na secção de Multimédia que aprendeu que na rádio há lugar para a imagem. Está no jornal PÚBLICO desde 2022.
Sobre o trabalho vencedor | “Barracas na área de Lisboa: o regresso de um problema que nunca desapareceu”
“Barracas na área de Lisboa: o regresso de um problema que nunca desapareceu” mostra a situação atual dos núcleos de construção ilegal e precária, popularmente conhecidos como “bairros de barracas”, na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Para isso, por um lado, revisita o passado através de uma análise aos resultados do Programa Especial de Realojamento, que prometia acabar com as barracas. Por outro, questiona o presente percorrendo bairros nos concelhos de Almada, Amadora e Loures e interrogando as 18 autarquias da AML. Num trabalho multimédia, com uma versão na edição impressa do jornal Público, evidencia-se que, apesar dos progressos, há núcleos que nunca se resolveram e outros que se formaram nos últimos anos.
O prémio, no valor de cinco mil euros, será entregue no dia 12 de setembro, pelas 11h00, na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, durante a 11ª edição da Festa do Livro.
O Prémio – breve nota
O Prémio Literário Orlando Gonçalves, instituído em 1998 pela Câmara Municipal da Amadora, tem por objetivo, por um lado, homenagear a memória do escritor e jornalista Orlando Gonçalves e por outro incentivar a produção literária, contribuindo para a defesa e enriquecimento da língua portuguesa.
Este prémio destina-se a galardoar, anualmente e de forma alternada, uma obra de ficção narrativa e um trabalho jornalístico de investigação ou grande reportagem.
Orlando Bernardino Gonçalves, um dos precursores do movimento neorrealista português, foi escritor e jornalista de imprensa escrita e de rádio, tendo sido inclusive Diretor do jornal Notícias da Amadora durante mais de trinta anos, atividade que sempre desenvolveu a par das suas intervenções cívicas e políticas na defesa dos direitos e deveres de uma cidadania plena, consciente e esclarecida, sustentada pelo enriquecimento intelectual.
Orlando Gonçalves foi agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade da Amadora em 1989, em 1993 o seu romance Enredos da Memória foi galardoado com o Prémio Literário Cidade da Amadora e em 1997 foi mais uma vez homenageado pela Câmara Municipal da Amadora, por ocasião das comemorações do 25 de Abril.
Listagem de prémios atribuídos
1ª Edição / 1998 – JORNALISMO
Júri: Judite Esteves Pinto (CMA), Alice Vieira (SPA), Gonçalo Pereira (SJ)
Filhos da Clandestinidade de Ana Margarida de Carvalho
Menções Honrosas
Reportagem sobre a Albânia, de Bruno Miguel Martins Carvalho
Escravos, o Segredo do País dos Mouros, de Paulo Moura
2ª Edição / 1999 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: António Moreira (CMA), Teresa Salema (APE), Matilde Rosa Araújo (SPA)
Remorsos da lua, de Cristina Maria Ramalho Cruz
À procura de um livro, de Ágata Ramos Simões
Menção Honrosa
A idade de Oiro, de Serafim Ferreira
3ª Edição / 2000 – JORNALISMO
Júri: António Moreira (CMA), Jorge Leitão Ramos (SPA), Gonçalo Pereira (SJ)
Não foi atribuído
4ª Edição / 2001 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Serafim Ferreira (CMA), José Correia Teles (APE), Rita Ferro (SPA)
Cenas da vida de um minotauro, de José Viale Moutinho
5ª Edição / 2002 – JORNALISMO
Júri: (CMA), José Jorge Letria (SPA), (SJ)
Não foi atribuído
6ª Edição / 2003 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Rogério Rodrigues (CMA), José Correia Tavares (APE), Rosa Lobato Faria (SPA);
Vozes que uivam para a lua cheia, de António Ferreira
7ª Edição / 2004 – JORNALISMO
Júri: Diana Andringa (CMA), Alice Vieira (SPA) e Maria José Garrido (SJ)
O Bispo maldito (artigo) de António José Vilela
8ª Edição / 2005 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Carlos Pinto Coelho (CMA), Alice Vieira (SPA) e José Manuel Vasconcelos (APE)
Um eterno retorno, de Rui Herbon
9ª Edição / 2006 – JORNALISMO
Júri: João Grego Esteves (CMA), Luís Filipe Costa (SPA) e Maria José Garrido (SJ)
Doentes graves, africanos, depositados em pensões obscuras (artigo) de Ricardo Felner
10ª Edição / 2007 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Rogério Rodrigues (CMA), José Correia Tavares (APE) e Manuel Freire (SPA)
Melodia clandestina, de Goreti Figueiredo
11ª Edição / 2008 – JORNALISMO
Júri: João Garcia (CMA), Luís Filipe Costa (SPA), Luísa Tito Morais (SJ)
Geração sextasy, (artigo) de Miguel Carvalho
12ª Edição / 2009 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Rogério Rodrigues (CMA), José Correia Tavares (APE) e Luís Filipe Costa (SPA)
Contos transcendentes, de Rui Valada
13ª Edição / 2010 – JORNALISMO
Júri: Rogério Rodrigues (CMA), Leonor Xavier (SPA) e Ana Goulard (SJ)
A guerra do Sr. António, de Ricardo Rodrigues
14ª Edição / 2011 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Manuel Simões (CMA), José Correia Tavares (APE) e José Fanha (SPA)
Nos dois crepúsculos e ao meio-dia, de Cristina Lisboa
Menção Honrosa
Reminiscências da luz: histórias quebradas, de Cristina Maria da Silva Robalo Cordeiro
15ª Edição / 2012 – JORNALISMO
Júri: Eugénio Alves (CMA), Leonor Xavier (SPA) e Ana Goulard (SJ)
Alice esperou 38 anos para matar o marido, de Sílvia Caneco
16ª Edição / 2013 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Rogério Rodrigues (CMA), José Fanha (SPA) e José Correia Tavares (APE)
Personae, de Ruy Tapioca
Menção Honrosa
Música para os manter na escola, de Carla Amaro
Brancas são as madrugadas: de olhos abertos com Isabel Meyrelles, de Susana Marques
Fragmentos, de Margarida Fonseca Santos
17ª Edição / 2014 – JORNALISMO
Júri: João Grego Esteves (CMA), José Fanha (SPA) e Ana Goulart (SJ)
Esplendores, de Joaquim Franco
Menções Honrosas
Em busca do Pai Tuga, de Catarina Gomes
Combate ao trabalho não declarado e à exploração de trabalhadores-apanha da azeitona sob investigação, de Bruna Soares
História de uma vida, história do País, de Susana Moreira
18ª Edição / 2015 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Rogério Rodrigues (CMA), António Torrado (SPA) e José Correia Tavares (APE)
Gramática da melancolia, de Nuno de Figueiredo
Menção Honrosa
Um sopro numa vela acende a escuridão, de Maria (pseud.de João Carlos Costa da Cruz)
19ª Edição / 2016 – JORNALISMO
Júri: Rogério Rodrigues (CMA), Tiago Torres da Silva (SPA) e Sofia Branco (SJ)
Quem foi o filho que António deixou na guerra, de Catarina Gomes
Menção Honrosa
Fuga para a vida, reportagem da autoria de Lavínia Leal, Carla Quirino e Paula Meira, exibida no programa da RTP Linha da Frente, no Dia do Refugiado
20ª Edição / 2017 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: José Correia Tavares (CMA), Tiago Torres da Silva (SPA) e José Manuel Vasconcelos (APE)
Não foi atribuído
21ª Edição / 2018 – JORNALISMO
Júri: Joaquim Franco (CMA), Leonor Xavier (SPA) e Sofia Branco (SJ)
A vida que a chuva levou, de Joana Pereira Bastos
Menções Honrosas
Escravos do rio, reportagem da autoria de Raquel Moleiro, fotografia de Luís Barra
Um país a arder pelas raízes, reportagem da autoria de Paulo Moura
22ª Edição / 2019 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Carlos Vaz Marques (CMA), José Manuel Mendes (APE) e Tiago Torres da Silva (SPA)
Alpendre a cinco vozes, de Orlando Duarte, pseud. de Antero Barbosa
23ª Edição / 2020 – JORNALISMO
Júri: Joana Bastos (CMA), Tiago Torres da Silva (SPA) e Sofia Branco (SJ)
A história secreta de Amália, de Miguel Bruno Martins Carvalho
Menção Honrosa
Português sem país, o filho de Alfama nascido na sela, reportagem da autoria de Nuno Guedes
24ª Edição / 2021 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: Antero Barbosa (CMA), José Manuel Mendes (APE) e José Fanha (SPA)
Discreto cavalheiro, de Aurélio B. de Borges, pseud. de António Garcia Barreto
25ª Edição / 2022 – JORNALISMO
Júri: Miguel Carlaho (CMA), Paulo Sérgio Santos (SPA) e João Miguel Rodrigues (SJ)
Por ti, Portugal, eu juro!” do coletivo Sofia da Palma Rodrigues, Diogo Cardoso, Luciana Maruta
26ª Edição / 2023 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: António Garcia Barreto (CMA), Isabel Medina (SPA) e José Manuel Mendes (APE)
A Coccinella perfeita, de António da Costa Neves
27ª Edição / 2024 – JORNALISMO
Júri: Sofia Palma Rodrigues (CMA), Luís Filipe Simões (SJ) e Tiago Torres da Silva (SPA)
Ao fim de 40 anos, Vicente não queria sair da prisão, de Ana Cristina Pereira
28ª Edição / 2025 – FICÇÃO NARRATIVA
Júri: António José Costa Neves (CMA), Gonçalo Pratas (SPA) e José Manuel Mendes (APE)
Inspector Chavarino: caixa de cisne, de Ricardo Franco
29ª Edição / 2026 - JORNALISMO
Júri: Ana Cristina Pereira (CMA), Tiago Torres da Silva (SPA) e Susana Venceslau (SJ)
Barracas na área de Lisboa: o regresso de um problema que nunca desapareceu, de Teresa Serafim